
MOSTRA “MEU OLHO ESQUERDO” RETRATA O COTIDIANO NOS QUATRO CANTOS DO PAÍS
A mostra reúne 40 fotos que retratam o outro lado do cotidiano brasileiro captado pelas lentes e olhar peculiar de Ed Viggiani
A Caixa Cultural São Paulo (Sé) apresenta de 19 de setembro a 1º de novembro a exposição “Meu Olho Esquerdo”, do fotógrafo paulistano Ed Viggiani. A mostra reúne uma seleção de 40 fotografias (todas em preto e branco) produzidas de 1988 a 2008, período em que percorreu os quatro cantos do Brasil e suas fronteiras registrando o contraste e a diversidade étnica-cultural do País.
Elas revelam o brasileiro nas mais diversas situações do cotidiano sob um ponto de vista pessoal, muito além do registro do belo, um olhar que fita o povo, a cidade, o futebol, a religião e a condição social num instante nem sempre observado. Este é o conceito que molda e dá nome à mostra “Meu Olho Esquerdo”. “Estou voltado para o anônimo, não à imagem oficial. É uma mania de andar na contramão”, comenta o fotógrafo.
Como resultado, temas aparentemente distintos, como uma partida de futebol inserida no espaço urbano ou romeiros de várias crenças unidos pela fé ou o cotidiano de uma família de migrantes, se cruzam numa mesma linguagem visual que transpõe o estado anímico de realidades tão diversas deste Brasil de muitas nações, de muitos povos.
Sobre a exposição:
Enquanto a oposição do preto e do branco imprime força às imagens fotografadas e simboliza diretamente o Brasil dos contrastes, outro detalhe na produção vale destaque, já que todas as fotografias da exposição foram registradas em filmes analógicos, e as ampliações feitas manualmente em papel fotográfico.
Segundo o artista, o que muda neste caso é a postura do fotógrafo que se vê impelido a registrar uma imagem conscientemente. “O filme me obriga a observar mais atentamente antes de disparar o dedo. É daí que sai a imagem, o trabalho documental”, complementa Ed.
Desde que começou a fotografar, aos 20 anos, Ed Viggiani se mantém coerente em seu discurso social na produção fotográfica e no engajamento que move sua carreira. Isso se revela já no primeiro trabalho realizado quando ainda era estudante de Ciências Sociais na USP, em 1978, quando pescadores caiçaras de Trindade (RJ) lutavam contra a construção de um condomínio de luxo em área de preservação ambiental na região.